terça-feira, 10 de abril de 2012

Decorando com dedo podre

Hoje vou falar sobre algo inédito aqui no blog. Claro que eu não podia ter um dedinho podre pra escolher pessoas, eu também precisava ter um dedinho podre pra ter idéias mirabolantes de decoração.

Foi assim que um dia eu resolvi forrar toda a porta do meu armário (embutido, diga-se de passagem) com tirinhas do Calvin. Então eu juntei por meses várias tirinhas do jornal e fui colando na porta com cola branca. E foi assim que eu transformei a porta do meu armário num enorme papier mâché (papel machê pra quem é pobre que nem eu).

Acontece que essa foi a PIOR coisa que eu poderia ter feito na minha vida decorativa e artesanal, porque essa porra droga NÃO SAI DE JEITO NENHUM! Eu tentei de tudo: comecei com água, cândida, essas coisas pra fazer a cola derreter. Não funcionou. Passei pro removedor, thinner, água raz. Cheguei no Pintoff, que é um negócio sensacional que tira toda a tinta que existe em alguma porta ou parede mas ele só foi eficiente em algumas partes. Descobri que existe um negócio chamado Reducola que é específico pra tirar cola mas também não funcionou.

Foi aí que eu tive a brilhante idéia de passar massa corrida na porta (não antes sem pensar em comprar uma porta nova e descobrir que precisaria ser feita uma porta sob medida), mas obviamente eu não sabia que existe uma massa corrida específica pra madeira. Por pouco eu não fiz a segunda pior coisa que eu poderia ter feito na minha vida decorativa e artesanal, fui salva pelo meu namorado que fez birra até eu acreditar que existe massa à óleo para madeira.

Depois de passar massa na porta toda e lixar ela inteira, pude pintar a porta e agora ela está QUASE boa, mas não sem as imperfeições deixadas pelo papel machê genial que eu fiz. Graças a essa etapa "lixar ela inteira" estou com a maior tosse de tuberculoso.

Então essa é a minha primeira dica pra você que gosta de decorar sua casa de forma artesanal: NUNCA, NUNCA, EM HIPÓTESE ALGUMA, JAMAIS cole jornal com cola branca. A não ser que você tenha certeza de que nunca vai mudar de idéia. Ou que você possa comprar uma porta nova.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Relembrando velhas músicas


Uma pessoa na minha timeline do Twitter postou essa música do Bidê ou Balde e, ao ouvir, me lembrei instantaneamente dos muito velhos tempos em que esta letra era o único consolo após o término do meu namoro de dois anos e meio. À época, era tão bonito pensar positivamente assim sobre o futuro.
Hoje, vendo que o tempo já passou, posso, com o coração tranquilo, definir o quanto da música se concretizou, sem nunca perder a oportunidade de zoar o ex, claro. Um texto despretensioso para a diversão da garotada.
Ps.: não é que eu não tenha nada pra fazer. To tentando me distrair e esquecer que minha formatura será daqui 9h.

Ela vai mudar 
Vai mudar, ficar mais inteligente e bonita e esperta - cof cof

Vai gostar de coisas que ele nunca imaginou
Por exemplo: do seu ex-melhor amigo de banda.

Vai ficar feliz de ver que ele também mudou
Feliz principalmente por ver que largou aquele traste antes que ele começasse a mudar demais e virar o que é hoje.

Pelo jeito não descarta uma nova paixão
Especialmente se a paixão for por um dos seus amigos, só pra enfatizar.

Mas espera que ele ligue a qualquer hora
Pra falar com a mãe dela, que é a única que dá moral pra ele hoje em dia.

(...)

Ele vai mudar
Leia-se: ficar cada vez pior.

Escolher um jeito novo de dizer "alô"
Foda-se.

Vai ter medo de que um dia ela vá mudar
Agora já era, né champz?

Que aprenda a esquecer sua velha paixão
Olha como não esquece! Ta aqui fazendo uma homenagem a ele...

(...)

É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
Se "amor" for aquela paçoca, realmente: é sempre Amor, nunca mudaram o nome dela!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

DEDO PODRE LIBERATION

Pra atualizar o blog e manter a ordem cronológica, hoje eu vou falar sobre o A. Mas no próximo post vocês conhecerão outro A., então vamos chamar o A. de hoje de Fardo =D

O Fardo está no top da minha lista de escolhas erradas (eu, carinhosamente, digo frequentemente que ele foi um encosto na minha vida), junto com o A. do próximo post.

Essa história começa quando eu comecei a conversar com ele na internet, e que isso sirva de conselho pra vocês: nunca, em hipótese alguma, fique e MUITO MENOS mantenha um relacionamento com uma pessoa que você conheceu na internet. E isso por uma razão muito simples: é muito fácil se iludir na internet. Você enxerga a pessoa como quiser, você interpreta as palavras dela como quiser, e isso faz com que você não perceba que essa pessoa não é nada do que você imagina.

No começo, o Fardo fazia de tudo pra me agradar, não se importava com o fato de eu fumar, beber, comer carne, etc. Ah é. O Fardo era vegan, aquele vegetariano master super ultra mega CHATO, que não come carne e nada que venha de animal, não usa nada que venha de animal e não gosta de ninguém que seja feliz comendo carne e usando produtos que contenham algo de origem animal. E no começo, ele não se importava com nada disso. Mas depois o pesadelo começou.

O Fardo começou a reclamar do meu cigarro, da quantidade de cerveja que eu bebia, dos pratos que eu fazia quando comíamos em restaurantes, e isso começou a me irritar. Por que eu tinha que aceitar o fato dele não comer carne e ele não podia aceitar o fato de que eu como carne? Isso tudo já começou a me irritar.

Daí o Fardo começou a criticar minhas amizades, dizendo que todos os meus amigos queriam me comer, nada diferente do C. e do D. Ele me tratava muito mal, eu me sentia uma bosta. Isso sem contar o dia que ele quase me matou. AH É, porque ele ficou puto por eu fumar e freiou o carro bruscamente e eu fui parar lá no pára-brisa, isso no meio da estrada.

O Fardo também era um viadinho ridículo que não tomava cerveja no gargalo, não sentava na calçada pra comer pizza com a mão, ficava com nojinho de botecos sujos (sobre isso: tem um boteco em Piracicaba que é muito porco, eu ia muito pra Piracicaba antes de conhecê-lo e ficava sentada na calçada bebendo e comendo pizza com a mão. Aliás, esse bar também era frequentado pelo meu namorado, o Guinho, e foi lá que nós nos vimos pela primeira vez - mas não conversamos e nem nos conhecíamos nessa época) e isso começou a me irritar demais.

A gota d'água foi o fato de ele invadir o meu email e ler emails antigos meus, começar uma crise surreal de ciúmes e terminar comigo no dia do meu aniversário. Depois disso, nós voltamos e alguma coisa (que eu não me lembro) aconteceu e eu mandei ele pra puta que o pariu, de preferência um lugar que tenha churrasco 24h por dia.


O QUE EU APRENDI:

- homens que não sentam no chão e não bebem cerveja no gargalo são viadinhos;
- homens que acham que vivem de verdade na idade média são viadinhos.


SALDO POSITIVO:

- sou a pessoa mais feliz do mundo quando tomo cerveja sentada na calçada com meu namorado ou em lugares sujos tipo Ego Club;
- sou a pessoa mais feliz do mundo quando vou num churrasco com meu namorado;
- SOU TOTALMENTE REALIZADA POR COMEMORAR ANIVERSÁRIOS DE NAMORO EM CHURRASCARIAS E ME ENTUPIR DE CARNE COM O GUINHO *-*


CONCLUSÃO: é preciso que o dedo apodreça para que ele possa ficar bonitinho de novo e você possa escolher a pessoa perfeita no meio de tantos podres.


PS: Depois disso tudo, ele achou legal manter uma imagem de alcoólatra e começou a postar milhares de fotos dele com barris de Heineken, cervejas importadas, etc.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Anos de podridão

Depois de mais de um mês sem postar, eu vim tirar as teias de aranha do blog pra contar uma história que durou quase 3 anos.

Vamos chamar nosso apodrinhado de D.

Eu conheci o D na internet, ele era amigo de vários amigos meus, e um dia marcamos de sair. Nós ficamos, começamos a namorar, etc, e foram quase 3 anos de tormento na minha vida. Eu digo tormento porque no começo era um namoro legal, tirando o fato de que a família dele não gostava de mim e já me expulsou da casa deles, essas coisas. Depois não sei porque eu insisti nisso, e nós começamos a terminar e a voltar várias vezes seguidas.

Acontece que o D era (e acho que ainda é) meio perturbado, antissocial, sei lá. Porque nós tínhamos vários amigos em comum e ele não fazia a menor questão de manter uma vida social ou de ter amigos. E aí acontecia uma coisa muito engraçada, que era o fato da gente brigar e um desligar na cara do outro e logo depois ele me LIGAR pra DESABAFAR, como se eu fosse um AMIGO dele.

Além disso, o D começou a me perseguir, de forma que eu saía da escola e ele tava lá, eu abria a porta de casa e tinha alguma coisa dele no chão, eu tentava entrar no meu email e a senha tinha mudado, essas coisas de gente psicopata.

Resumindo: eu não vejo nenhum saldo positivo no nosso relacionamento. Na verdade ele nem merecia aparecer aqui no Dedinho Podre, eu só falei sobre ele pra manter a ordem cronológica e porque a Pi me disse que ele deve falar muita merda de mim.

Hoje, o D namora há 4 anos com uma menina que perdeu a virgindade com ele e que não tem peito, nem bunda, nem coxa, nem nada e que ele mesmo disse que era ruim na cama e que não tinha o que pegar. Vez ou outra ele faz questão de falar comigo no msn pra dizer que ele ganha mais do que os advogados que trabalham com ele numa tentativa frustrada de menosprezar o fato de eu fazer Direito ou pra dizer que ele vai casar, COMO SE EU ME IMPORTASSE. Mande convite pra eu comer e beber de graça, obg.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Como se dar mal no brejo (em 15 passos)


Pois é. Eu terminei meu TCC, estou sem nada pra fazer, estava assistindo os vídeos das Dedilhadas  mas como minha internet consegue ficar pior do que já é de nascença com meu irmão baixando jogo pelo UTorrent, to aqui.
Esses assuntos sapatônicos me renderam não só um calor hormonal que vai sobrar pro namorado depois (risos), mas também me lembrou que eu prometi explicar como se dar mal com mulheres. Pois não só de homens se faz um dedinho podre. Você tem que ter O dedo podre pra conseguir escolher errado ATÉ quando você muda de time.
São 15 passos simples e rápidos que você deve seguir, tudo baseado na minha incrível experiência de passagem pelo mundo sapatônico.
Para se dar mal com mulheres, você deve começar assim:

1. Tenha um (ou dois, ou três, ou mil setecentos e oitenta e cinco) sonho em que você está pegando loucamente alguma colega de sala (que é bonitinha e lésbica, mas que você – hétero convicta que é jamais cogitou pegar).
2. Conte para seus amigos (sempre seguido de “foi só um sonho, gente”) e CONTINUE tendo os mesmíssimos sonhos com a mesmíssima pessoa.
3. Fique loucamente apaixonada por esta pessoa. Conte para o seu namorado (ele diz que também pegaria ela fácil). Comemore (por dentro) o fim do namoro de 3 anos dela. Tente se aproximar dela. Jogue uma ~hipótese~ e leve uma ~bota hipotética~.
4. Veja ela andar por aí com a nova namorada – que por acaso é alguém por quem você tem muito carinho e nem pode dedicar todo seu ódio. Aceite isso. Supere. Saia com elas em várias ocasiões, para ver como elas são fofas juntas.
5. Levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima – afinal, você nem curte meninas tanto assim.
6. Passe a ignorá-la sempre que possível, mesmo sabendo que ela está solteira de novo.
7. Namore um cara idiota. Termine com ele e beije sua melhor amiga (não necessariamente nesta ordem). Mas não porque vocês se desejam e sim porque vocês são bissexuais e estão bêbadas.
8. Passe por muitas decepções com homens e decida ficar apaixonada por aquela outra garota da faculdade – a do time de futsal #SIGNIFICA.
9. Tente desesperadamente se aproximar. Falhe.
10. Encontre-a na balada (gay) e use sua melhor amiga (aquela que te pegou) pra puxar assunto com ela e descobrir que ela tem uma NAMORADA. Japonesa.
11. Fique sofrendo na balada e pegue 1) a menina que seu amigo queria pegar e 2) uma menina legal, pra compensar o saldo do dia.
12. Seja sumariamente ignorada pela garota do futsal na faculdade. Fique BFF da namorada dela.
13. Mude de ~vítima~ e se apaixone por uma garota de cabelo roxo.
14. Descubra que ela é hétero. Veja-a pegando um carinha com cabelo de Restart no meio da multidão universitária.
15. Volte a ter sonhos com a sua colega de sala. Desista de mulheres (pelo menos temporariamente). Namore um cara pirocudo. Seja feliz assim.

Bom, gente, é isso! Seguindo esses passos corretamente é CERTO que você só se dará mal com mulheres (especialmente se você for uma)!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

dias podres

ultimamente minha vida está tão boa (e corrida) que eu até esqueci de voltar aqui e refletir sobre as podridões que me cercam. mas como nem tudo são flores, sempre tem aqueles dias que são um cu.
vou contar detalhadamente como estes dias já nascem fodendo o meu humor detalhadamente:

- 7:10 é a hora que acordo. meu despertador é sempre alguma música de alguma banda que eu gosto muito na esperança que eu acorde dançando em ritmo de festa. mas geralmente eu seleciono o snooze e só levanto dez minutos depois.

 - 7:22 é quando eu tenho coragem de levantar, tiro a ramela dos olhos e já ouço minha gata miar e a calopsita gritar

- 7: 24, eu lavo meu rosto com sabonete esfoliante pra tirar bem o peróxido de benzoíla a 10% do meu rosto que sofre com acne e manchas, e escovo meus dentes enquanto faço xixi ou cocô (depende do dia anterior), meu cabelo está parecendo uma arapuca e eu durmo na privada

- 7:26, da privada, eu ouço meu vizinho escutar forró e me pergunto quem eu matei pra merecer isso.

- 7:32, tiro meu pijama e penso em qual roupa vestir e enquanto decido mentalmente, vou arrumar meu cabelo. uma trança e já era

- 7:38 passo protetor solar, base e corretivo nas olheiras, nem aí pra maquiagem de miss.

- 7:41, visto qualquer roupa porque a que eu decidi mentalmente não tem no meu armário (aquela calça jeans linda da iodice); vou de camiseta do Motörhead e chinelo havaiana. Enfio todas as tralhas dentro da bolsa CHENSON, que segundo a Priscila é puro luxo e requinte por r$19,99

- 7:44, eu checo tudo da bolsa desde o kit manicure até o carregador do VAIO. Sim, eu tenho um VAIO comprado nas prestação do cartão da mãe da minha amiga porque meu nome tá sujo.

- 7:50, é a hora que eu pego o ônibus. Não pensem vocês que é apenas um ônibus comum: É O TERMINAL PARQUE DOM PEDRO. Mas calma, Gisele, há outra alternativa. Ah é, qual? PEGAR O LARGO DA CONCÓRDIA. Me julguem. É aí que a sessão tortura começa. Vamos lá
1º - É pinto, é peito, é bunda,  é suvaco, e não; não é o fim do caminho, é apenas o começo. Todos fedidos logo pela manhã, exalando aquele odor de floripa. Nos EUA, os americanos comem bacon no café da manhã, né? Pois aqui, meu filho, o bacon é substitiudo por peixe do dia anterior, o mesmo que é levado na marmita do proletário; aquela marmita gostosa, que fica roçando na minha cara enquanto eu tento encontrar meu fone de ouvido porque ALGUEM está ouvindo FUNK, FORRÓ, PAGODE, REGINALDO ROSSI.
2º - Que alivio! Consigo sentar. Não é um lugar na janelinha, por isso há pessoas passando no corredor e metendo a bolsa na minha oreia, espirrando no meu cabelo, o tio de dois metros de altura ~quase~ sentando no meu colo! tudo isso em um ambiente agradável de -0,0000112387m² por pessoa.


CONTINUA.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Priscila, 20. Formada na USP, desempregada.


Estávamos tirando a foto da turma para o convite da formatura, e, quando o fotógrafo sugeriu que sorríssemos, surgiu uma sugestão anônima no meio do grupo: “digam ‘DESEMPREGOOOO’!”. E foi assim que eu tive a magnânima ideia de mostrar pra vocês que, quando você nasce com um dedo podre, as suas escolhas erradas englobam tudo na sua vida, desde os óbvios relacionamentos frustrados até a escolha da sua carreira.
Agora voltemos ao começo. Estudei no ensino médio em uma escola particular particularmente muito ruim. Minha queridíssima tia me deu de presente uma inscrição na FUVEST, e eu, confiante em mim mesma que sou, prestei o vestibular “só pra ver como é”, já que acreditava que não passaria mesmo. Os meses que envolvem essa história já renderiam um texto, mas vamos pular pra parte em que eu passei na tããão disputada, cobiçada e - atualmente - polêmica USP.
Tive de me esforçar muito sozinha pra conseguir aprender o suficiente pra passar raspando. Estudei para a segunda fase história e literatura, enquanto na prova de física só faltou eu ter uma crise de choro. Mas passei, mesmo acertando 3/40 na prova de física (sobre isso: não contem pra ninguém, ok?). Fiquei mais ou menos em 50° lugar, de 60 vagas. Mas, foda-se: PASSEI!
Então eu comecei esse curso que – juro ‒ nem eu sabia do que se tratava. Você, por acaso, com 16 anos, saberia o que faz uma pessoa que estuda “Tecnologia têxtil e da indumentária”? Pois é, eu também não. Mas eu queria fazer roupas, expor minha moda, e achei que tinha tudo a ver. Grande erro, o meu! No primeiro ano fui surpreendida por uma coisa engraçada chamada Ciclo Básico: eu tinha aula com gente de vários cursos diferentes, e as matérias iam de “Ciências da Natureza” até “Tratamento e Análise de Dados/Informações” (sobre essa matéria: passei raspando). Todo estudante da USP Leste odeia o Ciclo Básico por convenção, e, embora eu fosse uma exceção, devo admitir que ficar 1 ano do seu curso tendo matérias de ensino médio de fato atrapalham MUITO sua evolução acadêmica. Estágio no primeiro ano, nem pensar, né? Quem é que vai contratar em uma confecção um newbie que só sabe fazer mapas conceituais ligando literatura com heliocentrismo?
Pois bem. Tudo acaba, e o primeiro ano acabou. Pra resumir, o segundo e o terceiro anos foram “planos”. Embora a grade curricular do curso tenha mudado incontáveis vezes, não vi nenhuma melhora no nível das matérias e dos professores. Embora, por sorte, alguns professores das últimas levas trouxeram grandes contribuições para o curso, a maioria do corpo docente nem fede nem cheira. Um ou outro dita, os outros concordam. Assim, nada realmente muda: o curso continua dentro da mesma caixa na qual esteve nos últimos 6 anos, desde que surgiu. Daí decidiram mudar o nome do curso pra “Têxtil e Moda”, e, OPA!, parece que agora dá pra entender do que se trata pelo nome. Batata: de um ano pra outro o número de candidatos por vagas duplicou. Se você também é hype, com certeza vai desejar estar neste curso da USP que tem “moda” no nome. Mas que continua sendo um curso pra gente chata com cabelo estranho que tem paixão por calcular a velocidade da produção
 de um tear jacquard.
Quarto ano, e apenas uma palavra: decepção. Posso afirmar para você que vi pessoas desistindo. No quarto ano. Nadar, nadar, nadar, e morrer na praia? Sim, mas confesso que entendo essas pessoas. Junto da decepção ‒ a decepção de chegar nos finalmente sem realmente sentir que aprendeu algo útil pra sua carreira ‒ vieram o desespero, o desgosto, a impaciência, a vontade da matarDIGO, depressão. Chegar ao último ano foi quase como poder respirar, mas também foi um momento legal pra taparem nossos narizes. As matérias mais inúteis. Os professores mais egocêntricos. O maior nível de faltas. A menor vontade de sair de casa pra chegar na faculdade e saber que não tem aula. No último ano, além de ter desistido da homeopatia e da psicoterapia pra partir pros ansiolíticos e antidepressivos, eu tive que aprender a não desistir: eu tinha um TCC inteiro pela frente. Mas acredita se eu disser que esse foi dos menores problemas? Por mais que tenha sofrido um bocado com a negligência de professores e com a falta de material didático útil pra minha pesquisa, o TCC foi bastante inspirador pra decidir o que eu quero pra minha carreira. Apesar disso, eu não associo em nada essa minha decisão ao curso que fiz, no máximo 5% de culpa ele levou nisso. Tive apenas uma matéria voltada para o design de superfície, área de design que eu me apaixonei e escolhi pra mim. Isso não foi nem de perto o suficiente para que eu conseguisse um emprego, muito menos na área.
Os problemas que tive, entre matérias impossíveis de se entender, colegas de sala que acham que são os vilões de 15 anos da Malhação, professores que acham que são reis da cocada preta e podem te tratar como um inseto, vagas de emprego para as quais nunca fui chamada, propostas (irredutíveis) de trabalhos acadêmicos absurdos que valem a nota de um semestre envolvendo atores pornôs transexuais, cobranças do mercado de trabalho que eu não podia suprir, semestres de aulas que não existiram, tempo desperdiçado com coisas irrelevantes, dinheiro gasto com terapias... TUDO, a todo momento, me forçava a parar. Mas não sei ainda se fui até o fim por persistência ou por acreditar em algo que ainda não posso ver: meu diploma, extremamente imponente, com as palavras Universidade de São Paulo nele impressas. Falta pouco, mas ainda vou tê-lo em meus braços. E só aí vou saber se a escolha que eu fiz aos 16 anos foi tão podre quanto me pareceu nesses 4 anos, ou se eu estou melhorando minha forma de fazer escolhas.

Saldo:
  • Não sei costurar
  • Não sei desenhar croquis
  • Não sei fazer fichas técnicas
  • Não sei usar programas importantes para a área de têxtil e moda, tais como: Illustrator, Photoshop, Tex Design, Lectra, CAD (Corel aprendi depois de gastar R$500 em um curso livre).
  • Não tenho nenhum portfólio resultante dos “trabalhos práticos”
  • Não entendo nada de moda (pra não dizer "nada", entendo tanto quanto os meninos do Todo Dia Um Look)
  • Não sou ryca, famosa, phyna e não ganho litros de dinheiro fazendo roupinhas medíocres
  • Mas já planejei uma coleção de roupas para 2 atores pornôs (Allanah Star e Buck Angel, google it)
  • Sei o que é uma maçaroqueira e posso dizer que uma malha canelada é diferente de uma malha rib
  • Fiz um TCC que rendeu 200 páginas e 57 estampas, mas que ninguém nunca vai ver e achar relevante.


Bom gente, é isso aí! Tenho consulta no psiquiatra agora em dezembro, Pretendo fechar esse ciclo da minha vida muuuito de boa na lagoa! (e aos convidados da minha formatura: torçam pra que tudo dê certo e AHAZEM!!!)

Fica aí pra vocês um exerciciozinho do 3º ano, pra vocês invejarem meu glamour.